domingo, 28 de fevereiro de 2016

Documentário sobre a obra de William Turner - autor de "o navio negreiro"

https://i2.wp.com/z.about.com/d/painting/1/0/U/X/1/SimonSchama-PowerofArt.jpg

Título Original: BBC – Power of Art: Turner
Gênero: Documentário
Ano de Lançamento (ING): 2006
Link do torrent: https://kickass.to/bbc-power-of-art-5of8-turner-xvid-ac3-www-avi-t787340.html





O Navio Negreiro
William Turner
 
 
O návio negreiro é uma obra que retrata uma angústia, uma vergonha, uma atrocidade da civilização ocidental - a escravidão. Turner, por meio de um jogo de luz e sombras, sempre com a penumbra e o abstrato, mostra o momento no qual negros escravizados foram jogados ao mar - ainda acorrentados. 
Uma prática altamente repudiada pelos arautos da humanidade, mas que foi germinada nas civilizações mais "desenvolvidas" do globo deixando um rastro de dominação que vai além da colonização imperial. Por isso é importante ler Franz Fanon, sobretudo o livro "Pele Negra e Máscaras Brancas"(Miro Santos)
Simon Schama destaca "Navio Negreiro" como a obra marcante da carreira de Turner porque além da recorrente discussão sobre o mérito artístico, encontrou também forte oposição política devido ao tema polêmico (o próprio Turner era contrário à escravidão, causa que abraçara muitos anos antes). O quadro é inspirado no caso ocorrido em 1781, quando o capitão do navio negreiro Zong teria decidido jogar ao mar 132 africanos vivos, ainda acorrentados, para garantir o pagamanto do seguro. De acordo com a tratativa comercial da época, a "carga viva" estava no seguro, mas não os africanos mortos na chegada e, sendo assim, a seguradora só pagaria o que fosse considerado como "perdas no mar". Desta forma, o capitão Luke Collingwood  transformou os 132 africanos em perdas reembolsáveis. Outro motivo frequente na época para lançar a "carga" ao mar era para ganhar velocidade e se livrar das provas quando eram perseguidos pela Marinha inglesa.

"Em 1838, a Inglaterra completara a abolição da escravatura em seu império. A legislação original fora aprovada em 1833, mas estabelecera um período de 'transição' para escravocratas e escravos (...) Abolicionistas de toda parte — sobretudo nos Estados Unidos e das colônias espanholas e portuguesas, onde a escravidão não só persistia como prosperava, devido ao boom do algodão — depositavam suas esperanças na Inglaterra (...) Assim, o navio negreiro que ele pintou é, ao mesmo tempo, real e irreal. Tem o formato reduzido das ágeis embarcações que os traficantes utilizavam na esperança de escapar aos perseguidores. Agora, porém, está enfrentando a borrasca numa luta aparentemente desesperada, contando apenas com a bujarrona; e, como assinala o historiador da arte John McCoubrey, está navegando - na medida em que consegue navegar - na direção da tormenta." - Simon Schama - O poder da Arte (pág. 306 e 307) 


Fonte: http://mundodek.blogspot.com.br/2015/10/simon-schama-o-poder-da-arte-parte-5.html#.VtMhbuZ1zAZ 

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